Os últimos dias têm sido vividos com bastante angústia e sofrimento em toda parte do mundo. Este cenário de adversidades, no entanto, oferece oportunidades ímpares de superação e crescimento humano. Os sofrimentos são inerentes à nossa condição, ao que Jesus também se submetera ao assumi-la. Mas da mesma forma que podem ocasionar crescimento, podem destruir-nos se não soubermos tirar deles o proveito que nos é possível.

Liturgicamente falando, vivemos nestes dias o memorial do cume de nossa fé: trilhamos com Cristo sua via dolorosa para, com Ele, chegarmos à gloriosa, a qual nos abriu as portas em sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Como, portanto, passar por esta “via crucis” e sair fortalecidos dela? Antes de tudo, lembremo-nos que toda força provém de  Jesus; em seguida, associemos o atual quadro de pandemia de COVID-19 com a história do povo de Deus, que temos registro pelas Sagradas Escrituras; e, por fim, reflitamos sobre o sentido que se está vivendo.

Reconhecer que somos fracos, faz com que confiemos mais em Deus, como afirmou o Apóstolo Paulo: “Quando sou fraco, é então que sou forte” (cf. 2 Cor 12, 10). É tendência do homem moderno querer ser sempre forte e quando nos deparamos com problemas maiores que os comumente enfrentados, desmoronamos de vez. Mas é a nossa fraqueza, reconhecida e aceita, que atrai a misericórdia de Deus sobre nós. Então, não hesitemos em assumir nossos medos, nossas angústias, nossos sentimentos de incapacidade… Sim, sentimos tudo isso, mas não nos concentramos nisto, pois confiamos em um Deus maior que tudo.

Olhando para história do povo de Deus, qualquer semelhança não é mera coincidência porque continuamos sendo o Seu povo. E algo que já acontecia, era considerar os sofrimentos  como castigos. Quanto não se perde de aprender quando se limita a esta interpretação! O próprio Jesus, quando questionado pelos seus discípulos sobre quem havia pecado para que um cego nascesse assim, vai dizer que: “Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus” (cf Jo 9, 3). Ou seja, os sofrimentos não podem ser encarados como castigos, mas como meios que Deus escolhe para manifestar o seu poder, considerando que mesmo em meio às maiores tormentas, Ele é o mesmo.

Mas afinal, qual sentido pode ter passar por tudo isso? É importante questionar-se sempre e elaborar maneiras de extrair aprendizados para posteridade. Para quem crê em Cristo, conta-se com uma considerável vantagem, porque pela Sua Encarnação, cumpre-se a Promessa de restauração e vida eterna: “Se com Cristo morremos, com Cristo viveremos”, diz-nos São Paulo (cf. 2 Tm 2, 11) Eis a nossa esperança!