“A Cruz foi o púlpito onde Deus pregou o Amor.”
(Santo Agostinho)

A Igreja celebra, em 14 de setembro, a Exaltação da Santa Cruz. Tal festa foi instituída  no calendário litúrgico após o encontro de Santa Helena com a Cruz de Jesus. Motivada pelo desejo de encontrar vestígios da Paixão do Senhor, Santa Helena, aproximadamente 300 anos após a crucificação de Jesus, durante  o governo do imperador Constantino (seu filho), mandou que realizassem uma escavação fora dos muros  de Jerusalém. Tal escavação resultou no encontro de instrumentos referentes à crucificação e, entre estes, encontravam-se três cruzes.

Existem duas versões que explicam o encontro com a verdadeira Cruz de Jesus: a primeira é de origem católica e narra o pedido do bispo para que aproximassem das cruzes pessoas doentes e as tocassem e tocando a terceira Cruz, estes ficaram curados, identificando-a como verdadeira Cruz pela qual Nosso Senhor tivera padecido. A segunda versão é de origem ortodoxa, conta-se que levaram um morto para que o deitassem sobre as cruzes e ao deitarem sobre a terceira o mesmo voltou a vida. 

Em 335, também por ordem de Santa Helena, foi edificado um templo no mesmo lugar onde encontraram os vestígios da Paixão, em 13 de setembro houve a Dedicação da Basílica do Santo Sepulcro e no dia 14, uma parte da Cruz foi exposta à veneração. Hoje em todo o mundo existem fragmentos do lenho da Cruz e estes estão expostos em algumas Dioceses.

A cruz é um instrumento de salvação, por meio dela fomos inseridos no ministério salvífico de Jesus, ela é a porta pela qual a misericórdia divina nos visita e por ela Jesus nos abriu o paraíso. Bendito o madeiro da Cruz, que nos possibilita, mesmo cercados de miséria, adentrarmos no amor gratuito de Deus.

Cruz é Cruz! Seja leve ou pesada todos somos convidados a também carregarmos a nossa. Jesus antecipa sua morte e os frutos de sua entrega quando diz: “E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim” (Jo 12,32).

 Deixemos-nos atrair por Ele, escondendo nossas vidas em sua Cruz e abandonando-nos, para vivermos os mistérios que Ele mesmo oculta em sua Paixão. Se olharmos para a Cruz como esperança de ressurreição poderemos dizer como Santa Tereza D’Ávila: “Sê bem vinda Cruz querida, sê bem vinda!”